DREAM THEATER: QUEM SERIA O SUBSTITUTO DE JAMES LABRIE?

Este é James LaBrie, vocalista do Dream Theater.

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Sua voz é uma das marcas registradas da banda de metal progressivo, conseguindo se sobressair em meio ao virtuosismo de músicos tidos como os melhores do mundo.

Para muitos fãs, porém, é justamente LaBrie o grande problema do quinteto norte-americano. Segundo os críticos do cantor, seu estilo não se encaixa no instrumental, sem contar que ao frontman cabe, basicamente, cumprir o papel de intérprete, já que a maioria das letras é de autoria do guitarrista John Petrucci (função que era dividida com o ex-baterista Mike Portnoy). Ou seja, na opinião dos “haters”, o cara é quase um inútil.

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A discussão vem à tona sempre que o Dream Theater solta um novo trabalho, e não foi diferente com o álbum duplo “The Astonishing”, lançado recentemente. Os defensores do vocalista cutucam: tirar o LaBrie e colocar quem no lugar?

Ano passado, durante uma conferência, o físico inglês Stephen Hawking foi questionado por uma garota sobre a saída de Zayn Malik do One Direction. Para consolo da jovem, o cientista disse que era possível que o ídolo dela ainda fosse integrante da boy band em um universo paralelo. Agora, imaginem que, nesta mesma realidade alternativa, o chefão Petrucci resolvesse dar férias vitalícias a James LaBrie. Quem seria, então, a nova voz do Dream Theater?

Num hipotético processo de seleção, eu apostaria minhas fichas em três nomes, todos com larga experiência como vocalistas-estepes.

Tim “Ripper” Owens

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Este é o que podemos chamar de “reserva titular”. O cara já ocupou o posto de ninguém menos que o “metal god” Rob Halford no Judas Priest, depois assumiu os vocais do Iced Earth (no lugar de Matt Barlow). Outra substituição de peso e Tim Owens já pode pedir música no Fantástico.

Thiago Bianchi

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Por ser um rosto menos conhecido, talvez os gringos se perguntem: quanto tempo esse cara passa na frente do espelho se penteando? Ainda que correndo por fora, Bianchi entraria na disputa pela cota reservada a brasileiros. Foi assim com Aquiles Priester, quando Mike Portnoy largou as baquetas do DT para depois tocar metal emo com o Avenged Sevenfold. Vale lembrar que André Matos, antecessor de Bianchi no Shaman, também pleiteou a vaga deixada por Bruce Dickinson no Iron Maiden nos idos da década de 1990 – posto assumido pelo candidato a seguir.

Blaze Bayley

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O ex-Wolfsbane seria carta marcada de Steve Harris para substituir Bruce como voz da Donzela – escolha que se mostrou um pouquinho equivocada. Por isso mesmo, Blaze seria uma indicação do próprio LaBrie para substituí-lo no Dream Theater. Consequentemente, após a banda lançar alguns trabalhos malsucedidos, Petrucci não teria outra opção a não ser chamar o antigo vocalista de volta – que, a essa altura, teria feito as pazes com Portnoy e colocaria como condição para seu retorno a readmissão do ex-batera. Assim, pela primeira vez, o DT contaria com dois bateristas na formação.

E você, tem alguma indicação? Deixaria tudo como está? Zayn Malik seria uma boa para o Dream Theater? Ou a banda deveria se tornar apenas instrumental e fazer post-rock? Deixe seu comentário.

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O ROCK NACIONAL NÃO MORREU (ELE CAIU PRA SEGUNDA DIVISÃO)

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Quando disse que o rock brasileiro estava morto e hoje seus protagonistas preferem vender cerveja a fazer música (Não leu? Confira aqui), alguns conhecidos e músicos vieram reclamar comigo (como se eu tivesse alguma culpa), alegando que tal situação se restringia ao mainstream, que a realidade no underground era diferente, que havia um monte de bandas boas e honestas, etc. Mas, amigos, do que vocês estão falando? Que mainstream? Que udigrudi? Sinto em informar, mas nada disso existe no Brasil. Aqui, a coisa se resume a primeira e segunda divisões, série A e série B, grupo especial e grupo de acesso e outras denominações normalmente associadas aos dois principais produtos culturais do nosso país (futebol e carnaval). Para melhor ilustrar o que quero dizer, vamos ficar com primeira divisão e segunda divisão.

Primeiramente, qual é a linha que separa a elite da gentalha? Nem sempre popularidade é sinônimo de qualidade. Mais uma vez, vou recorrer à analogia com o futebol. Basta lembrar que o Corinthians, time com a segunda maior torcida do país, já foi rebaixado e disputou a série B do Campeonato Brasileiro em 2008. O Los Hermanos, por exemplo, não lança material inédito desde 2004 – para o bem da Humanidade, dirão alguns; porém, quase todo ano Marcelo Camelo e cia. se reúnem para alguma turnê caça-níquel, arrebatando multidões dispostas a pagar uma fábula para assistir a um repertório requentado e executado com tal espontaneidade que faz os discursos pró-metal do Manowar parecerem verdadeiros.

Mas nem tudo está perdido. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, Paula Toller, ex-vocalista do Kid Abelha, justificou o fim da banda, ocorrido em 2014. “A gente não tinha mais estímulo para gravar disco de inéditas. Se é para cantar apenas os sucessos antigos, melhor parar”, desabafou. Infelizmente, a ficha ainda não caiu para alguns contemporâneos dos Abóboras Selvagens. Alguém já disse que a criatividade está no corredor da morte. Prova disso é a avalanche de álbuns ao vivo e de covers que assolam o mercado.

Mal lançou o álbum “Nheengatu”, o Titãs já emendou “Nheengatu Ao Vivo”. O engraçado é que, ano passado, estive em uma apresentação dos paulistas, realizada em um evento de nerds, e os caras não tocaram absolutamente nada do último registro de estúdio. Tá certo que em shows corporativos o cardápio costuma ser aquele arroz e feijão com os mesmos hits de sempre – “é o que o povo quer ouvir” –, mas não executar uma música “nova” sequer mostra tremenda má vontade da própria banda com sua produção recente, então, como esperar que o público compre?

E o que falar do Ultraje a Rigor? Roger Moreira virou o Caçulinha do Danilo Gentili, passa mais tempo escrevendo asneiras no Twitter do que tocando e, após 13 anos sem lançar um disco completo de inéditas (antes, só um EP, em 2009), a banda solta, em 2015, um novo álbum… de covers (o segundo da carreira!). Isso após gravar um split com o Raimundos em que toca, adivinhem, covers do quarteto de Brasília. É o “volume morto” do poço.

Obviamente, Lobão não poderia ficar de fora dessa. Ah, Lobão… Talvez o exemplo mais bem acabado de músico da segunda divisão, poderíamos chamá-lo de Vasco do rock brasileiro. É aquele sujeito que chama mais atenção pelas pérolas vomitadas na imprensa e nas redes sociais do que pela música. Não que alguém precise fazer a mesma coisa 24 horas por dia pelo resto da vida. Além de músico, Lobão também é colunista e escritor. Talvez por isso, ninguém tenha dado muita bola para o último disco dele, “O Rigor e a Misericórdia”, lançado ano passado. Você também não sabia desse lançamento? Pois é… Ah, e ainda estamos esperando ele cumprir a promessa de deixar o país. Desconfio que o lupino tenha mudado de ideia porque sabia que, assim como Ed Motta, só se apresentaria para brasileiros no exterior – que a todo o momento pediriam para ele tocar “Me Chama” ou “Decadance Avec Elegance”.

Certo, vocês acham que, novamente, estou tratando apenas de nomes do alto escalão. Vamos, então, ao exemplo de uma figura menos badalada: Thiago Bianchi (ex-complete com o nome de qualquer banda). Quando pensamos no sujeito, a primeira pergunta que vem à mente é: quanto tempo esse cara fica na frente do espelho se penteando? Daí lembramos que ele já estampou capa da Folha de S. Paulo e até no programa da Fátima Bernardes apareceu. O motivo? Não lembro, mas não era para falar sobre heavy metal. Ok, ele compôs o hino do maior festival de metal já realizado na América do Sul (brinks, ele escreveu a música-tema do Metal Open Air).

Com esses pitacos, não quero, de modo algum, desestimular bandas que estejam dando os primeiros passos rumo ao “sucesso”. Lembrem-se: popularidade não significa, necessariamente, realização, e até o Corinthians já esteve na segundona. Por isso, nem vou entrar na discussão sobre falta de espaço nas rádios e programas de TV. Se o povo gosta de Luan Santana e não gosta de Cachorro Grande, é uma questão de escolha; só não dá para alegar a ruindade do que toca para justificar a ruindade do que não toca. Porém, dá para tentar a sorte em algum reality show, tipo o “Superstar”. Imagina, amigo, você pedindo a benção do Paulo Ricardo! Aprova o meu som aí, cara! Não se preocupe: levar um “não” do Paulo Ricardo é a melhor coisa que pode lhe acontecer.

No fim das contas, ainda estou com uma dúvida: será que existe alguém na primeira divisão?

 

O DIABO ESTÁ NA MODA

E o Brasil continua, apesar de alguns esforços contrários, a dar bons exemplos na sua caminhada rumo à igualdade. Se até as novelas da Globo agora têm uma cota de beijos gay, começamos a ver mais um movimento se levantando para lutar por seus direitos na sociedade civil: os simpatizantes do Diabo.

Já consolidada no undergound roqueiro e, principalmente, metálico, essa corrente religioso-filosófica-musical-whatever conseguiu, na última semana, uma exposição no mainstream jamais imaginada. Ok, o incêndio de igrejas na Noruega, no início da década de 1990, também deu bastante ibope, mas aquilo só ajudou a queimar (ops) o movimento. Agora, é diferente: dois episódios, aparentemente isolados, acabaram criando uma espécie de agenda positiva, e o Diabo ficou bem na fita.

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Primeiro, o prefeito de São Paulo City, Fernando Haddad, presenteou o Papa Francisco com um CD chamado “Sobrevivendo no Inferno”. Imagine o Bergoglio velho de guerra ouvindo no celular (obviamente, ele já converteu o álbum em mp3) Mano Brown esbravejando “Adolf Hitler sorri no Inferno”! Porém, seria bem mais legal se o petista levasse um disco do Demo Lóki MC (se o trabalho existisse, claro). Só esse vídeo é melhor do que qualquer coisa feita pelo Massacration.

O segundo evento que abalou as estruturas da internet tupiniquim foi o termo “black metal”, que chegou aos trend topics do Twitter no Brasil, tudo graças a uma declaração da Paula Fernandes. Ou seja, se Deus gosta de samba, como diria a canção do DFC, o Diabo curte mesmo é um sertanejo universitário. E antes que os “true” ergam seus machados, deixo aqui o link para um post em que listei seis motivos para levar o black metal a sério.

Resumindo: tinhoso, capeta, coisa ruim, Eduardo Cunha, maligno, tranca-rua, rei das trevas, Xuxa, capiroto, cramulhão, Belzebu, Silas Malafaia, chifrudo, demônio, Eurico Miranda, cheiro de enxofre, Satanás. Não interessa como você chama o seu malvado favorito. O importante é sair do armário (digo, da catacumba) e mostrar para o mundo o Diabo que existe em você!

 

NÃO EXISTE CARNAVAL EM SÃO PAULO

Cheguei à brilhante conclusão acima quando tive de escolher entre assistir a 50 Tons de Cinza e 20.000 Dias na Terra, aquele filme do Nick Cave. Fiquei com a opção 2, primeiro porque às segundas o ingresso no Belas Artes morre 6 Dilmas para trabalhadores; segundo, porque o blockbuster softcore está em exibição em, pelo menos, umas 500 salas, ou seja, ainda vou ter bastante tempo para assisti-lo.

Quase me arrependi quando cheguei, às 18h em ponto, ao número 2423 da Consolação e me deparei com a fila para compra de ingresso que dobrava a esquina com a Paulista. Como eu disse, o povo daqui não é chegado em folia, e pelo visto tudo mundo estava sem grana para viajar também. Continuar lendo

ANATHEMA – CLASH CLUB, 08/02/2015

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Parece que uma nuvem carregada paira sobre o Anathema sempre que a banda anuncia uma apresentação no Brasil. Na passagem anterior dos ingleses por São Paulo, em 2013, o merchandising foi extraviado; em 2006, o show foi cancelado pouco antes dos músicos subirem ao palco, devido à falta de alvará de funcionamento do local. Chega a ser impressionante, portanto, que os caras ainda incluam o país em suas turnês. E para manter a tradição (maldição?), a mais recente aparição do grupo na capital paulista – desta vez para divulgar o álbum Distant Satellites – foi cercada de contratempos. Continuar lendo

POR QUE TODOS DEVERIAM GOSTAR DE BLACK METAL

Muita gente acha o black metal uma piada de mau gosto. Seja pelo visual, pelo “orgulho nórdico” sustentado por algumas bandas (mesmo os caras sendo, sei lá, do sertão baiano) ou porque os true fans são, em geral, muito chatos; poucos levam a sério o metal negro. Por outro lado, há também bons motivos para curtir o gênero. Eu poderia listar aqui 666 razões, mas, por questão de tempo e espaço, confira apenas seis delas; é o bastante para os detratores reverem seus conceitos e terem um pouquinho mais de boa vontade com esses adoradores da escuridão. Continuar lendo

O ROCK NACIONAL ESTÁ MORTO E TODOS VIRARAM CERVEJEIROS

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Garrafas e latinhas agora disputam o mesmo espaço que os discos nas lojas da Galeria do Rock, em São Paulo.

Se os shows da Legião Urbana com Wagner Moura e a “ressurreição” holográfica de Cazuza pareciam a pá de cal na cova do que convencionamos chamar de rock brasileiro, o que mais poderia acontecer de ruim? Certamente, algo muito pior… Continuar lendo